
Todo Site Reliability Engineer experiente sabe que resposta a incidentes é, fundamentalmente, sobre informação. Quando algo quebra ou começa a degradar, você não olha para uma única métrica ou uma linha de log isolada. Você navega por logs, traces, alertas, dashboards, mudanças de configuração e conversas humanas para entender o que aconteceu — e o que fazer a seguir.
Agentes de IA prometem ajudar exatamente nesse tipo de sobrecarga cognitiva. Eles conseguem ler, correlacionar e resumir informações mais rápido do que qualquer humano. Mas a efetividade desses agentes é moldada por uma limitação técnica dura — e frequentemente ignorada.
A janela de contexto.
Janelas de Contexto são a Memória de Trabalho da IA
A janela de contexto é a memória de trabalho de um modelo de IA. Ela define quanta informação o agente consegue manter ativa para raciocinar em um determinado momento. Mesmo com modelos modernos anunciando janelas de contexto muito grandes, essa memória continua sendo finita — e surpreendentemente frágil.
Análise de incidentes é a receita perfeita para esgotamento de contexto. Alertas disparam cascatas de chamadas de ferramentas. Logs e traces crescem rapidamente. Snapshots de configuração e dados históricos se acumulam. Quando tudo isso é empurrado para a janela de contexto sem disciplina, o agente não fica mais inteligente. Ele fica mais lento, mais caro e menos confiável.
Mais contexto não significa automaticamente melhor raciocínio. Depois de certo ponto, geralmente significa menos foco.
Agentes, Subagentes e Skills
Agentes modernos de IA são construídos de forma muito parecida com sistemas distribuídos. Eles são compostos por subagentes e skills, cada um responsável por uma tarefa bem delimitada, como análise de logs, inspeção de configurações ou sumarização.
Essa separação de responsabilidades não é apenas uma preferência arquitetural. É um mecanismo de sobrevivência. Escopos menores significam janelas de contexto menores, raciocínio mais claro e menos falhas silenciosas. Um único agente tentando manter todo o estado de um incidente ao mesmo tempo não é diferente de um monólito sob carga ilimitada.
No entanto, isso não acontece automaticamente.
A maioria dos frameworks de agentes oferece subagentes e skills como capacidades — não como salvaguardas. Cabe ao usuário entender como esses recursos funcionam e configurá-los de forma intencional. Sem limites claros, uma skill pode facilmente se tornar apenas mais uma forma de injetar grandes volumes de dados na mesma janela de contexto já sobrecarregada.
MCP: o Inimigo Silencioso da Janela de Contexto
À medida que agentes se tornaram mais comuns nos fluxos de trabalho de SRE, servidores MCP passaram a se proliferar rapidamente. Grafana, GitHub, Slack, sistemas de CI, provedores de cloud e plataformas internas agora expõem interfaces MCP que os agentes podem consumir livremente.
É aqui que o MCP se torna um inimigo silencioso.
Cada servidor MCP representa um potencial dilúvio de tokens. Muitas configurações registram dezenas de ferramentas MCP logo de início, mesmo que apenas uma pequena fração seja usada durante um incidente. O agente nem precisa chamá-las para que o dano aconteça. Esquemas de ferramentas, descrições e capacidades disponíveis já consomem parte da janela de contexto antes mesmo de qualquer trabalho começar.
Com o tempo, isso corrói o espaço efetivo de raciocínio do agente.
Por esse motivo, frameworks de agentes já estão correndo para melhorar o gerenciamento de MCPs. Técnicas como progressive disclosure estão se tornando mais comuns. Em vez de expor todos os MCPs de uma vez, os agentes revelam ferramentas gradualmente, com base na intenção e na etapa da investigação. Outros atrasam o carregamento de metadados até que a ferramenta seja realmente necessária, ou removem dinamicamente MCPs não utilizados do contexto ativo.
A lição é simples: MCPs são poderosos, mas precisam ser tratados como dependências de produção. Cada ferramenta habilitada tem um custo — mesmo quando não é utilizada.
O Verdadeiro Problema de SRE: Explosão de Contexto
Incidentes são iterativos. Cada passo gera mais dados e mais hipóteses.
Imagine um agente investigando um CrashLoopBackOff no Kubernetes. Ele busca a descrição do pod, depois as últimas 500 linhas de log, depois o YAML do deployment. De repente, grande parte do contexto está ocupada por stack traces repetitivos. A mudança real de configuração que causou o problema mal consegue caber.
É assim que falhas silenciosas acontecem. Não porque o modelo é fraco, mas porque o sinal se perdeu no meio do ruído.
Existe também uma preocupação muito prática aqui. Janelas de contexto grandes aumentam latência e custo. Um agente que leva dezenas de segundos para raciocinar porque está relendo milhares de tokens é inútil durante um incidente crítico. Gerenciamento de contexto não é apenas sobre correção. É também sobre FinOps e tempo de resposta.
Tratando o Contexto como um Problema de Engenharia
Trabalhar com IA de forma eficaz em SRE exige tratar contexto como um recurso escasso.
Sumarização precisa ser explícita, não acidental. Skills e subagentes devem ser projetados para emitir estados compactos, não transcrições completas do que observaram. Dados históricos e saídas volumosas devem ser descarregados para sistemas de memória de longo prazo, como vector stores, em vez de permanecer indefinidamente na janela de contexto ativa.
Da mesma forma, o uso de MCPs precisa ser intencional. Habilite menos ferramentas, exponha-as de forma progressiva e remova o que não é necessário. Gerenciamento de contexto não é algo que o agente resolve magicamente por você. É uma decisão de design — e uma responsabilidade.
Agentes também precisam de observabilidade. Uso de tokens por etapa, taxas de compressão e quanto insight é produzido por token importam. Se monitoramos tudo em produção, o agente não deveria ser uma caixa-preta.
Conclusão
Agentes de IA não falham por falta de inteligência. Eles falham porque ficam sobrecarregados.
Para SREs, gerenciar a janela de contexto não é diferente de gerenciar memória, latência ou error budgets. Ignorar isso torna as falhas sutis e caras. Projetar levando isso em conta transforma agentes em parceiros confiáveis — em vez de ferramentas imprevisíveis.
Trate sua janela de contexto como um recurso escasso. Porque dados sem contexto são ruído — e contexto sem gerenciamento é caos.
Este artigo foi redigido com o apoio de ferramentas de IA (texto e imagem de capa), com conteúdo final, estrutura e ideias definidos pelo autor.



